Palavras de 05 para 06
Palavras concretas de Ferdinand Kriwet (picture - estou 40 anos atrasada)Palavras simbolicas de Ernest Fenollosa e Ezra Poundhttp://www.hyattcarter.com/the_chinese_written_character.htmhttp://www.library.yale.edu/beinecke/orient/fenell.htmhttp://www.kirjasto.sci.fi/epound.htmPalavras sonoras de The Smiths (The queen is dead - todos os anos), Black Rebel Motorcycle Club, Nina Simone, Cesaria Evora e Emir Kusturica and The No Smoking OrchestraPalavras visuais de Dziga Vertov http://www.medienkunstnetz.de/works/der-mann-mit-derkamera/ Naruse Mikio, Ozu Yasujiro http://www.filmref.com/directors/dirpages/ozu.htmlE muitas palavras platonicas, perdidas, vendidas, compradas, trocadas, sonhadas, lidas, vistas, tocadas...
O meu olhar
O meu olhar é nítido como um girassolTenho o costume de andar pelas estradasOlhando para a direita e para a esquerda,E de vez em quando olhando para trás...E o que vejo a cada momentoÉ aquilo que nunca antes eu tinha visto,E eu sei dar por isso muito bem...Sei ter o pasmo essencialQue tem uma criança se, ao nascer,Reparasse que nascera deveras...Sinto-me nascido a cada momentoPara a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,Porque o vejo. Mas não penso nelePorque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele(Pensar é estar doente dos olhos)Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,Mas porque a amo, e amo-a por issoPorque quem ama nunca sabe o que amaNem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,E a única inocência não pensar... Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)Para aprender a pensar http://www.think-lab.com/ http://www.logo.com/twp/Para sentir http://www.vikmuniz.net/main.html http://www.pbs.org/independentlens/worstpossibleillusion/
Gosto de palavrar
"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso. (...) Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha. "Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoahttp://www.ben-vautier.com/ (picture)
Metamorphing the body

"
What brings hybridization about?
Hybrid creations and creatures emerge from recombinations. The smaller, the more flexible the unit, the greater the number of recombinations. Hence the principal drivers of hybridity are the gene, the atom and the bit. Language itself is a product and a generator of hybridization. Like migration and crossbreeding, languages drive hybridization because they bring together common features from otherwise unrelated entities. As more and more objects are made available in digital form, invention rises evermore from sampling and mixing, leading to a generalized digital/material bricolage."
"If you want to see cultural hybridization in action, watch a Bollywood movie. Globalization brings new pressures on hybridization. Being at once global, continental and local, we are all global, but some of us are more global than others. The world implodes and societies remix. Under the gaze of satellites, the political face of the planet is trying to graduate from nationalism to continentalism. Most changes are lateral as we witness the repeated drama of vertical disintegration. In the mediadriven politics of the globalized economy, keeping in mind the dubious strategies of recycling old concepts to fit new situations, what is the meaning of “democracy” ?"http://www.daniellee.com/ (picture)http://www.aec.at/en/festival2005/index.asphttp://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2652,1.shl
Poema à boca fechada
Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei,Pois que a língua que falo é de outra raça.Palavras consumidas se acumulam, Se represam, cisterna de águas mortas, Ácidas mágoas em limos transformadas, Vaza de fundo em que há raízes tortas. Não direi: Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, Palavras que não digam quanto sei Neste retiro em que me não conhecem. Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, Nem só animais bóiam, mortos, medos, Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam No negro poço de onde sobem dedos. Só direi, Crispadamente recolhido e mudo, Que quem se cala quando me calei Não poderá morrer sem dizer tudo. Jose Saramago - Os poemas possiveis
BioMimetic
"... The creative reality of forms lies within a continuous series emanating from a single primal life-impulse seeking and finding manifold expression in form. Life itself is thus manifested..." Louis H. Sullivan - A System of Architectural Ornament
Curriculum: Leaf
Considering a leaf for design exploration:
1. Leaves convert carbon dioxide into oxygen = design analogy: ventilation systems, environmental sensors, and/or pollution filters.
2. Leaves transform light, carbon dioxide, water, and minerals into sugar = design analogy/extrapolation: bioluminescence and photovoltaic systems.
3. Leaves are cellular structures = design analogy: membrane-wall structural systems.
4. Leaves have waterproof or water-resistant surface = design analogy: moisture barrier.
5. Leaves are part of a water and nutrient pumping, circulation, and communication system = design analogy: water, sewage, power, cable, catchment, filtration, and heat circulation systems. 6. Leaf morphology; shapes, unfolding, and surface qualities = design analogy: surface textures, circulation patterns, as well as origami-like structural folding and unfolding.
http://www.tumbletruss.com/index.html
"O olhar é uma musica que os olhos tocam"
"...(Eu escrevi 'são os poetas que sabem sobre os olhares' – mas logo corrigi. Todo mundo sabe sobre os olhares. Todo mundo observa atentamente os olhares porque são eles, e não os globos oculares, que sinalizam a vida e especialmente o amor... Mas só os poetas sabem falar sobre eles). Escrevo para mudar olhares. Isso não é ciência. É arte. Há olhos perfeitos que são armas mortíferas. Jesus se referiu a esses olhos e sugeriu que deveriam ser arrancados. Os olhos, eles mesmos, são estúpidos. Eles não têm o poder para discriminar as coisas dignas de serem vistas das coisas não dignas de serem vistas. Para eles tanto faz ver um programa idiota de televisão quando uma tela de Vermeer. A capacidade de discriminar não pertence aos olhos. Pertence ao olhar. Mas isso exige uma luz interior..." Rubem Alveshttp://www.rubemalves.com.br/sobrecienciaesapiencia.htmhttp://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u778.shtml(painting Rene Magritte - Ceci n'est pas une pipe) http://www.pipes.at/pipes.html
A funcionalidade estupida da Arte
"Nao diga isso. Nao rotule uma obra como algo util, porque uma coisa util nao eh arte" Louise Bourgeois
"… por um lado, interpretação significa extrair um significado de uma coisa. Mas interpretar uma obra de arte significa também ”apresentar” a obra de arte. De fato, apresentamos uma obra de arte quando tentamos conferir um significado a ela, do qual percebemos logo que permanecerá fugaz. Se não confrontarmos a obra de arte com a nossa procura de significado, então se nos omitirá o fracasso relativo, a fuga da nossa interpretação. E se não experimentarmos esse fracasso, que abre a porta para o outro aspecto do significado, então não compreendemos a obra de arte. Isso é estranho, mas é realmente assim. O motivo dessa estranheza é conhecido. As obras de arte ”vacilam” (Paul Valéry) entre sua expressão material e o seu significado..." Roger M. Buergel http://www.magazine-deutschland.de/issue/Buergel_2-05_POR_P.php?lang=porhttp://www.bravonline.com.br/impressa.php?edit=en&numEd=86http://www.yokohama2005.jp/en/ (picture: Curatorman Inc) A arte como um grande espetaculo do vazio.
Oco, vacuo, sem dialogo, sem interpretacao… Pretensionismo?
O que voce absorve em 30% de pura expressao?“Vício na fala/Para dizerem milho dizem mio/Para melhor dizem mió/Para pior pió/Para telha teia/Para telhado teiado/ E vão fazendo telhados.” Oswald de Andrade
The written face
"The theatrical face is not painted (made up), it is written. There occurs this unforseen movement: though painting and writing share the same original instrument, the brush, it is still not painting which lures writing into its decorative style, into its flaunted, caressing touch, into its representative space ( as would no doubt have been the case with us - in the west the civilized future of a function is always its aesthetic ennoblement); on the contrary, it is the act of writing which subjugates the pictural gesture, so that to paint is never anything but to inscribe. This theatrical face consists of two substances: the white of the paper, the black of the inscription (reserved for the eyes) (...) the face is only: the thing to write; but this future is already written by the hand which has whitened the eyelashes, the tip of the nose, the cheekbones, and given the page of flesh its black limit of a wig compact as stone. the whiteness of the face, not lustrous but heavy, as disturbingly movements: immobility (for which our moral term is impassivity) and fragility (which in the same fashion but with no more success we label: emotivity)..." Roland Barthes, Empire of Signs 1983 p. 88http://www.questia.com/library/communication/roland-barthes.jsphttp://www.theatrenohgaku.org/"Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Depus a máscara, e tornei a pô-la
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términos de linha.”
Álvaro de Campos